O início das Bibliotecas Itinerantes
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| A primeira Biblioteca Itinerante. Começou a circular em Cascais, em 1953. |
Ainda
em 1958, baseado na experiência pioneira de Branquinho da Fonseca e sob a sua
direcção, foi criado pela Fundação Calouste Gulbenkian (F.C.G.), instituição
privada, o Serviço de Bibliotecas Itinerantes, com o intuito de tentar resolver
um problema: o da educação pós-escolar dos cidadãos, visto que, quando «o homem
não procura o livro» ou «não se interessa pelo livro», tem de ser este a
«procurar e interessar o homem, para o servir, quer instruindo-o, quer
recreando-o».
Assim,
o objectivo essencial era promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar
o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre
acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço. Estas
bibliotecas constituíram durante muitos anos a única possibilidade de acesso ao
livro a diversas faixas etárias e sociais da população, particularmente do
interior.
Nesta
fase foram criadas 15 bibliotecas itinerantes, número que rapidamente se
multiplicou, pelo que em 1961 o país era invadido por uma frota cinzenta de 47
veículos de marca Citröen. Muitos portugueses viram, então, um livro pela
primeira vez!
Referência bibliográfica:
Bibliotecas em movimento: as bibliotecas móveis em Portugal
Autor: Rui Manuel Neves
Chefe de Divisão de Bibliotecas - Biblioteca Pública
Municipal de Montijo, Portugal.
Coordenador do Grupo de Trabalho de Bibliotecas Públicas da
BAD
(Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e
Documentalistas).
Presidente da Direcção da LIBERPOLIS.
A Biblioteca Itinerante Nº 18
A saudosa Citröen que durante muitos anos, circulou nas estradas do
concelho de Miranda do Corvo e concelhos vizinhos.
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| O sr. António Ferreira, mais conhecido pelo sr. António da Biblioteca e o sr. Prof. Seixas, formavam a equipa da Biblioteca Itinerante nº 18. |
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O espaço exíguo da carrinha não era problema quando se gostava de ler.
E a leitura era iniciada logo ali, à sombra de uma árvore...
O senhor António era o motorista da carrinha. Era ele que afavelmente recebia, pela janela da carrinha, os livros que os leitores iam entregar, juntamente com o cartão de registo. No interior da pequena biblioteca o senhor professor Seixas arrumava os livros nas estantes, folheando um por outro. Também conversava com os leitores e dava indicações e conselhos sobre o que era melhor para cada um ler, segundo a sua idade. Os livros estavam catalogados e tinham fitas de cores verde, laranja e vermelha nas lombadas, sendo que as crianças apenas podiam requisitar os livros com a fita verde.
Entretanto,
constatou-se que a existência das unidades móveis não era suficiente e que era igualmente
necessária a implantação de unidades fixas. Foi assim que, na década de 80, a Fundação Calouste Gulbenkian dotou a vila de uma biblioteca
fixa, biblioteca que funcionou durante alguns anos em instalações anexas à
Segurança Social, antes de ser incorporada na atual Biblioteca Municipal Miguel
Torga. Essa biblioteca chamou a si o serviço prestado na vila pela Biblioteca
Itinerante, passando os leitores habituais da carrinha a requisitar os livros
na biblioteca fixa.
Mas,
a Biblioteca Itinerante nº 18 ainda continuou durante muito tempo na sua nobre missão
de ir ao encontro dos leitores, até que foi integrada, a partir de Novembro de
2001, na Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional. A
partir daqui a Biblioteca passou a ser designada por Bibliomóvel, mas a sua
missão continuou a ser a mesma…
10 de Setembro de 2009. “50
anos a alimentar o espírito”
“Durante décadas a Biblioteca Itinerante
foi o maior e, por vezes, o único contributo válido para que as populações que
visitava pudessem ter acesso à cultura”,
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| O senhor António e primeira carrinha da Biblioteca. O dr. Carlos Marta e o Bibliomóvel da ADFP. Dois veículos e duas gerações ao serviço da cultura. |
A Quinta dos Livros
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| A atual Biblioteca Móvel da ADFP. |
A
Fundação ADFP tem também um pólo fixo na sede da instituição, aberto a toda a
comunidade e possui um fundo bibliográfico de 30 mil livros. Actualmente com
2.700 leitores inscritos, visita escolas e infantários, fazendo igualmente
paragens no centro das aldeias, permitindo que as populações de 62 localidades
do distrito de Coimbra possam ter acesso gratuito ao livro. Para tal foram
estabelecidos protocolos com as Câmaras Municipais de Coimbra, Góis, Miranda do
Corvo e Penela, e ainda com as Juntas de Freguesia de Casal de Ermio e Serpins.
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| Quem disse que agora a Biblioteca só é frequentada por crianças?... |
Miranda
do Corvo e os concelhos vizinhos continuam assim, década após década, a ter à
sua disposição o serviço da Biblioteca Itinerante. Os antigos leitores jamais
se esquecerão da velhinha e saudosa Citroen que ostentava o nº 18; esse veículo
mágico há muito tempo que desapareceu das estradas, mas, felizmente, deixou
descendência e é muito bom saber que, volvidos 55 anos, a Biblioteca Itinerante
de Miranda do Corvo continua em plena atividade!
Fonte
consultada: Site da ADFP
Este artigo foi elaborado com a colaboração do dr. Carlos Marta, atual encarregado da Biblioteca da ADFP, que forneceu imagens e documentação.
Este artigo foi elaborado com a colaboração do dr. Carlos Marta, atual encarregado da Biblioteca da ADFP, que forneceu imagens e documentação.
Testemunhos
de antigos leitores da Biblioteca de Miranda do Corvo, escritos pelos próprios
e publicados no blog Candeia Verde:
Sentia-me
feliz quando, de quinze em quinze dias, vestia a minha melhor roupa para ir à
carrinha devolver os livros já lidos e escolher outros, envoltos em mistérios
que iria desvendar até à próxima visita da biblioteca. Lembro-me que levava
sempre o número máximo de livros permitido que, na altura, eram cinco. Tinha um
enorme gosto pela leitura e “devorava” livros à noite, deitado na cama e
iluminado pela pálida luz de um candeeiro de petróleo. Adorava os livros de
Enid Blyton: “Os Cinco”, “Os Sete” ou “Uma Aventura”, cujas colecções li na
totalidade. Também gostava muito dos livros de Júlio Verne e Emílio Salgari,
mas, durante os anos que frequentei a biblioteca itinerante li obras de vários
géneros e autores, atrevendo-me a dizer que terei certamente entrado na casa
dos milhares de livros lidos.
A
Biblioteca Itinerante de Miranda do Corvo teve um papel importante na minha
aprendizagem, pelo que fico muito contente por saber que, após meio século,
continua a ir ao encontro das pessoas transportando cultura, com todo o encanto
e magia dos livros!
José
Alexandre Henriques
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Gostei muito de ler o seu artigo... Posso dizer sem dúvida alguma que o que mais moldou o meu carácter… foram os meus hábitos de leitura…
Já dizia Marcus Tullius Cícero –“Se temos uma biblioteca e um jardim, temos tudo…”
Desde muito tenra idade… que sempre li muito… e muito me faz confusão, quando reparo que hoje se lê muito pouco… diria antes… quase nada… Mais… quando era novo… no tempo de Salazar e Caetano… queríamos alguns livros para ler… e não os tínhamos… pois eram censurados… E como nessa altura, o dinheiro era pouco ou nenhum, para comprar livros… eu e dezenas de colegas amigos … como aliás, a maioria dos jovens pelo País fora, tínhamos que recorrer a bibliotecas públicas… No meu caso, da que adquiri mais livros para ler, foi da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian em Miranda do Corvo… Nunca me esquecerei do que devo na formação do meu carácter, àquela velha carrinha… que me trazia, a maioria dos meus sonhos…
Foi sem dúvida graças a ela, que eu ganhei o gosto pela leitura… Não via o dia do mês, em que a carrinha chegava… para poder escolher mais cinco livros… que era o máximo que emprestavam por mês… E como o gosto que grande parte dos meus amigos e eu tínhamos por ler, era tal… que os cinco livros… quando muito davam para cinco dias apenas… e era quando davam… então começávamos a trocar os livros uns com os outros… e assim podíamos ler uma dúzia ou mais de livros no mesmo mês… E eu que lia… até com uma pilha por baixo dos lençóis, para a minha Mãe não ver a luz acesa até tão tarde… chegando a haver dias em que lia dois livros… Então, para ter mais que ler… durante um período, só trazia livros com dois ou mais volumes… pois contavam apenas como um… pena que o stock de títulos com mais de um volume, tenha acabado tão depressa… O professor Henrique ???, até chegou a desconfiar que eu levava livros que nem lia… pois era muito novo para os entender… foram as minhas primeiras noções de Literacia… aprendi que não bastava ler… era preciso interpretar e compreender o que se lia… Então no mês seguinte perguntava-me um resumo de algum deles… poucas vezes o fez… permitindo-me a partir daí, ter acesso a qualquer das prateleiras… pois estas eram dispostas para acesso por idades… A partir daí… sentia-me quase como dono… daquelas filas de livros… sobretudo das de cima… a que só os “grandes” e mais velhos tinham acesso… era o Mundo a abrir-me as portas…
O meu muito obrigado, à Biblioteca Itinerante de Miranda...
Mário Direitinho Santiago
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Mário Direitinho Santiago
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Interessante esta biblioteca
Eu aposto na vida mesmo diante do
maior problema, porque descobri que cada novo
dia é uma folha em branco, onde posso escrever
o que quiser, criar e viver o presente que rabisco
com tintas coloridas, que chamo de Esperança!
Beijinhos (Princesa)
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Amigo José.
Estive durante alguns anos ligados a essas bibliotecas como
Funcionário da Fundação Gulbenkian. Tenho grande conhecimento, até que ponto
elas eram importantes para as populações do interior. Lisboa não sabe o que é
interior ou não quer saber. Também é verdade que quando foram extintas, foram oferecidas
às Câmaras e algumas recusaram. Oferecidas com o carro, livros e apoios vários.
Só era preciso um funcionário.
E assim se está fazendo o Portugal de Abril. Mas vejo que nem tudo
é mau.
Agora um aparte: estive para ir para Miranda do Corvo, para essa
Biblioteca Itinerante, antes de serem todas extintas.
Um abraço
Victor Gil
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Só agora, e por mero acaso, encontrei este blogue. O curioso da
situação é que sou o responsável pela Biblioteca Itinerante de Miranda do Corvo
(hoje na Fundação ADFP). Já Passaram 30 anos desde o dia em que comecei a
trabalhar nesta Biblioteca (então ainda na Gulbenkian) e mais de 40 desde que a
comecei a frequentar como leitor. A ela devo muito do que aprendi, quer através
dos seus livros, quer através dos milhares de leitores que conheci e que tanto
me tem ensinado. No próximo dia 19 de Maio vamos inaugurar um novo Bibliomóvel
que permite o acesso às novas tecnologias e a possibilidade de ser frequentada
por pessoas com mobilidade reduzida. Terei todo o prazer de vos fazer chegar
fotos e outros elementos sobre a nossa Biblioteca. Podem contactar-me através
do mail departamentocultural@adfp.pt ou telemóvel 918714606
Carlos Marta Ferreira. (atual encarregado da Biblioteca)
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