sábado, 27 de setembro de 2014

BATALHA DO BUÇACO FOI HÁ 204 ANOS

Militares depositam uma coroa de flores junto ao Monumento.

Hoje, 27 de Setembro de 2014, passam 204 anos sobre a Batalha que ocorreu na serra do Buçaco e em que se defrontaram as forças anglo-lusas sob o comando do Tenente-general Arthur Wellesley, visconde Wellington e as tropas francesas lideradas pelo Marechal André Massena.

Todos os anos, no dia 27 de Setembro, o exército português promove uma cerimónia militar e religiosa no local onde foi erigido um monumento em homenagem às tropas anglo-lusas. Nas comemorações de hoje participaram forças do Regimento de Infantaria 14 (Viseu) da Brigada de Intervenção, Fanfarra do Exército, Guarda Nacional Republicana e Associação Napoleónica Portuguesa. As cerimónias iniciaram-se pelas 09h00 com o hastear das Bandeiras Nacionais de Portugal, Reino Unido e França e, após a receção dos convidados às 09h30, seguiu-se um Cortejo Histórico Religioso, Missa Campal e Cerimónia de Homenagem aos Mortos.

Todos os anos se realizam aqui cerimónias religiosas e militares, que
incluem uma missa campal.

Como foi dito por um orador durante as cerimónias, o exército não se cansa de ir ali todos os anos realizar aquelas cerimónias, não só para homenagear todos os homens e mulheres que participaram naquele acontecimento, que marcou a região e o país, mas também para manter viva a sua memória e inclusivamente prestar um serviço didático à população, sobretudo aos mais jovens.

A Guerra Peninsular foi uma desgraça para o país. Naquela época Portugal tinha apenas 3 milhões e meio de habitantes e só nesta guerra perderam a vida 200 mil pessoas. As invasões francesas foram causadas por motivos políticos, mas, como acontece sempre, é o povo quem mais sofre.

Miranda do Corvo também sofreu muito com esta guerra. O concelho foi duramente afetado pelas tropas francesas, na primavera de 1811, quando estas batiam em retirada e se encontravam muito desorganizadas. As pilhagens eram uma constante e há mesmo quem afirme que Massena terá mandado incendiar a vila. Não se conhece o número exato de vítimas, mas, no concelho de Miranda do Corvo, em 1931, a partir do registo paroquial de óbitos, Belisário Pimenta contabilizou 728 mortos entre Março e Julho de 1811, sendo que o número médio dos 4 anos anteriores fora apenas de 1724.



Vídeo sobre a Batalha do Buçaco, realizado durante as comemorações dos 200 anos do acontecimento.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

AS PONTES DE MADEIRA SOBRE O RIO MONDEGO

No artigo anterior falámos sobre duas pequenas pontes de madeira que existiram no rio Dueça e que eram utilizadas por um número reduzido de pessoas. Voltamos ao assunto, agora para falar sobre as antigas pontes de madeira de Coimbra, que no século passado eram um elo de ligação entre as duas margens do Mondego, com alguma importância, na época. 

As pontes de madeira que atravessavam o rio Mondego, na zona de Coimbra, fazem parte do imaginário da cidade e de um rio que no verão deixava parte do areal a descoberto. Esse carácter estival do rio, que contrastava com fúrias súbitas no inverno, originou a alcunha de “Basófias” e inspirou a criação de poemas, como esta quadra de António Nobre.

Vou encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu'é da tua água,
Qu'é dos prantos que eu chorei?

AS ANTIGAS PONTES DE MADEIRA NA QUINTA DA PAIVA


As duas antigas pontes de madeira na Quinta da Paiva. Ao fundo avista-se
 o moinho de água que nesta altura se encontrava em ruínas.

Há uma dezena de anos atrás as duas margens do rio Dueça, na Quinta da Paiva em Miranda do Corvo, eram ligadas por duas pontes de madeira, separadas apenas por dois ou três metros. A ponte mais larga era para uso exclusivo dos proprietários da Quinta que, apesar de existir uma serventia pública que atravessava os seus terrenos, não permitiam que os habitantes das aldeias vizinhas se servissem da sua ponte. Estas pessoas tinham necessidade de atravessar o rio para se dirigirem aos pinhais em busca de lenha ou outros produtos florestais, que transportavam aos ombros ou às costas e, para isso, construíram a sua própria travessia que era denominada a “ponte do povo”.

domingo, 21 de setembro de 2014

GONDRAMAZ, ALDEIA DE XISTO

O cimo da aldeia.
Num artigo anterior deste blog, com o título “Aldeias abandonadas na serra da Lousã”, escrevi sobre o Cadaval, uma pequena aldeia situada na vertente oeste de uma das muitas montanhas da serra. Para essa aldeia, cujas casas se encontram na sua maioria completamente arruinadas, existem projetos de recuperação que se forem concretizados poderão fazer renascer a aldeia, trazendo vida aquela zona da serra, tal como acontece não muito longe dali, a apenas pouco mais de um quilómetro de distância, na aldeia do Gondramaz, povoação que sendo vizinha do Cadaval e pertencendo ao mesmo concelho, a configuração do relevo montanhoso do local faz com que se encontrem bastante afastadas fisicamente, pois o Gondramaz situa-se numa encosta voltada para o lado oposto e de onde se avista uma linha de cumeada de outra montanha onde se alinham várias torres eólicas, que fazem parte do primeiro parque que foi instalado na serra: o parque eólico de Vila Nova.

ALDEIAS ABANDONADAS NA SERRA DA LOUSÃ



Cadaval Cimeiro.
Na vertente oeste de uma das muitas montanhas da serra da Lousã, dentro do perímetro geográfico do concelho de Miranda do Corvo, há uma aldeia abandonada, ou melhor duas, uma vez que a cerca de um quilómetro de distância da primeira que se avista, se encontra uma outra aldeia, bem mais pequena. Estas duas antigas povoações têm o mesmo nome: Cadaval, atribuindo-se lhes para as distinguir os “apelidos” de Cimeiro e Fundeiro, uma vez que se situam na encosta a cotas de altitude diferentes, o que não é caso raro e também acontece com muitas outras aldeias situadas em zonas serranas. 

AS FÁBRICAS DE TELHA DE MIRANDA E LOUSÃ

Depois do artigo que escrevemos sobre os antigos fornos da telha do Vale Feijão, voltamos ao assunto, vindo falar agora das cerâmicas de Miranda e também da Lousã que durante algum tempo fabricaram telhas do tipo marselha. Todas elas já encerraram as portas há muitos anos, mas ainda se encontram em alguns telhados peças por elas fabricadas.



Telhas fabricadas em Miranda.

OS FORNOS DE TELHA DO VALE FEIJÃO

Telhas serranas produzidas no Vale Feijão
Miranda do Corvo tem uma grande tradição na arte de trabalhar o barro. A origem da olaria é muito remota, porém sabe-se que ela teve um grande incremento nos séculos XVI e XVII e todos têm conhecimento de que essa arte continua a fazer parte do quotidiano mirandense, focada principalmente na aldeia do Carapinhal.

No concelho para além da olaria, existem, ou melhor dizendo, existiram também várias fábricas ligadas à industria do barro para confeção de púcaros para a resina dos pinheiros, que fecharam há muito tempo, talvez quando começaram a aparecer as púcaras feitas de plástico. De desaparecimento mais recente foram as fábricas de produção de tijolo e tijoleira para a construção civil. Estas eram várias e quase todas elas encerraram possivelmente devido ao facto de se terem tornado obsoletas, no entanto, uma delas encerrou devido à crise que se instalou na construção civil de há uns anos a esta parte, pois tratava-se de uma fábrica de construção recente, que utilizava processos modernos de fabrico.

A ORIGEM DO NOME DA VILA DE MIRANDA DO CORVO

Brasão de Armas de Miranda do Corvo
O brasão de armas do concelho de Miranda do Corvo,
baseia-se na lenda da donzela cativa na torre do castelo.
As estrelas de oito pontas significam vitórias contra os
mouros, causa essencial da fundação do castelo.
Uma donzela apaixonada por um cavaleiro doutra raça e religião, ao ver de dentro do castelo, numa encosta próxima, o seu amado em êxtase perante a sua beleza, assomou a uma fresta ou janelão e gritou-lhe: “mira e anda!”, para que as sentinelas não dessem sinal de inimigo à vista.

Hoje, muitos mirandenses acreditam que pode estar nessas palavras de aviso da donzela para o seu amado a origem do nome “Miranda”. No entanto, em bom rigor filológico, o nome da terra poderá vir do latim mirandus, que significa miradouro ou atalaia, o que, na verdade, corresponde à primitiva função do monte onde foi construído o aglomerado militar, ao redor do qual depois se desenvolveram as construções civis.

O certo é que a lenda romanesca da donzela sobreviveu a quaisquer outros motivos ou sucessos que poderiam impressionar as imaginações e veio a ser oficialmente legalizada, tendo vindo a constituir o motivo central do selo e do escudo de armas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A TORRE SINEIRA DE MIRANDA DO CORVO


A "nova" torre sineira.

A torre do antigo castelo de Miranda do Corvo foi, recentemente, alvo de obras que lhe alteraram profundamente a aparência visual. Desapareceram as ameias que lhe davam um aspeto medieval, fazendo lembrar um pouco que ali existiu um castelo que fez parte da linha defensiva do Mondego.

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